quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Coragem de ser frágil


Não é invasão, tão menos hospedagem transitória. É moradia permanente.
Não se trata de território demarcado. É habitação esparzida e intrínseca à natureza humana...
Fragilidade amiga.
Permite-me enamorar os algozes causadores das minhas chagas.
Faz-me degustar o doce sabor escondido na sinestesia drástica das dores que me seguem.
Rende-me as oportunidades de transcender às conquistas mais comuns e efêmeras dos sonhos dos homens.
Conduz-me ao outro, convence-me de que sou igual a todos e todos "idênticos" a mim (sem suprimir a unicidade que me há; pelo contrário, a me desvela).
Nivela-me ao valor único e imperecível daqueles que são mortais.
Revela-me a riqueza do coração alheio.
Convida-me a amar... E por dócil generosidade, me faz amor.
Fragilidade amiga. Esposa de minh’alma, elevador do meu humano.


TEXTO: Daniel Rangel

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sede... Sede do Essencial


Hoje acordei com uma sede de Deus...

Sede de quem conhece e já experimentou a água - incolor, inodora, insípida, mas substancialmente real. Mata a sede. Repõe as moléculas de H2O às células desejosas de sobrevivência, de realizar o seu ofício/as suas funções que dão significado àquilo que são.

Ciência esta que não nos damos conta no momento sôfrego da sede. Somente recorremos ao copo d’água. Pouco nos importa se agimos com consciência empírica ou científica, apenas queremos satisfazer as necessidades fisiológicas.

Foi dessa sede com que hoje me deparei...

Deus muitas vezes me é tão abstrato, invisível, mas sempre real. Mata a sede. Sacia as indigências da minha alma. Dá sentido ao que sou e vitalidade a realizar o que preciso ser.

O gesto? Recorrer simplesmente à sua Voz!
_________________
TEXTO: Daniel Rangel

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Onde está a sua meta?

Desagregar-se-ia de mim o sentido de existir se não mais me pertencesse a meta de ser santo, de ser melhor, a partir do pouco que sou e da graça facilmente alcançável d’Aquele que me justificou.

Nesta trilha me descubro, deparo-me e surpreendo-me com meus limites e defeitos a todo instante. A cada nova descoberta ou fracasso, amplia-se de modo plangente, mas resoluto, o desafio do meu propósito.

De concreto que tenho, é que não darei passos a não ser pela via do amor... Ainda que me seja exigente, por não saber ser assim.

O que me consola, e ao mesmo tempo produz em mim a motivação e o ânimo cotidiano, é a certeza de que em Cristo Jesus eu tudo posso! E assim quero viver...

Hoje, meu pecado faz aniversário. E a ele presenteio com a antítese da sua natureza: minha meta.

TEXTO: Daniel Rangel

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Por que vou à Missa???!


Incruento Sacrifício que me faz recordar quem sou. Minha redenção. Lugar do encontro das minhas realidades com a sublime chance concedida de me tornar perfeito. Momento da plena comunhão com o Corpo Místico* do Cordeiro Imolado no altar!
Universaliza-se o meu humano com a humanidade que também carece de seu Salvador! E juntos, somos todos apenas um; pertença de um único Corpo, do mesmo Rei!

Mistério exigente de fé...: Eu sou n’Ele e Ele em mim! Somos n'Ele e Ele em nós!

*sentido literal de Igreja/Povo de Deus (cf. I Cor 12, 27 e CIC 787-796)

TEXTO: Daniel Rangel

sábado, 23 de maio de 2009

Santas Mãos

Minha homenagem ao homem que, por suas mãos, mais me trouxe Cristo Eucarístico! Obrigado por tudo!!!
______________






Santa mão, que o meu erro absolveu, meu pecado perdoou.
Santa mão, que o pão e o vinho consagrou.

Mão que o seu rosário, incansável ele rezou. Mão erguida, estendida, me abençoou.
Mãos santas e ungidas, que o Cristo elegeu.
Tão simples e formosas. Sua vocação, seu sacerdócio nos deu.

Ele se entregou a nós, suas ovelhas.
Fez de cada um de nós mais santo e justo.
Meu Pai Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto do Amado estás.


Homem do silêncio, seu ministério fez valer.
Sua oração não foi palavra, mas escuta do Senhor.
Dos mais pobres fez-se amigo, dos mais nobres fez também.
Os seus gestos eram preces que os anjos dos Céus diziam Amém.

Ele se doou a nós, o seu rebanho.
Se gastou, se consumiu, mas foi de amor.
Meu Pai Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto do Amado estás.


Ele não se negava pra estar junto aos doentes.
Ministrando o sacramento de cura e salvação.
Redobrando-lhes consolo, fé, esperança e o amor.
Concedendo a "sua" bênção, aliviando ao fraco a sua dor.

Ele se entregou a nós, suas ovelhas.
Fez de cada um de nós mais santo e justo.
Meu Pai Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto do Amado estás.

Construiu tão belos templos, corações reconfortou.
Almas tristes reergueu, com humildade aconselhou.
Devagar, sem muita pressa, fez o muito que ele fez.
Que apressados não alcançam e se perdem no quiçá e no talvez.

Ele se doou a nós, o seu rebanho.
Se gastou, se consumiu, mas foi de amor.
Meu Pai Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto do Amado estás.


Simples como a hóstia, sua vida ele ofertou.
E fez dela um sacrifício, uma oblação de amor.
Todo dia Eucaristia, a Santa Missa celebrou.
A Paixão e a Ressurreição: o mistério de Cristo Nosso Senhor.

Ele se entregou a nós, suas ovelhas.
Fez de cada um de nós mais santo e justo.
Meu Pai Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto do Amado estás.

Ele se doou a nós, o seu rebanho.
Se gastou, se consumiu, mas foi de amor.
Meu Pai Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto do Amado estás.

Meu Padre Ernesto, sempre tão perto.
Hoje longe, mas junto de Deus estás!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Lágrimas distantes não respigam em minha roupa


Não sei onde habitam as dores que desfiguram a razão de existir deste mundo esfera.
Porque não as sinto...
São lágrimas e lágrimas que querem expressar os semi-áridos corações.
De fato falta água no planeta. E não apenas nele.
Falamos de presente, não de futuro.
São pratos vazios.
Crianças ao relento.
Filhos mutilados em guerras.
Lutadores da vida inoportunamente visitados pela doença, que não se sabe se vai, quando deixará de hospedar...
Arrependidos gradeados que não se lembram mais do sol. Convivem com o direito de suas revoltas, obrigados a não mais acreditar em sua auto-redenção.
São cimentos e concretos que adormecem a identidade viva do egoísmo humano.
Há crianças sem escola, sem esmola, sem pais, sem padrastos e orfanatos.
Pessoas violentadas pelo prazer alheio. Outras pela ausência de colo, onde chorar?
Existem muitos abandonados, outros tantos por pessoas rodeados, mas que vivem só.
Só de amor é que carecem, de mais nada solicitam. Não lhes faltam o dinheiro, muito menos o luxo que lhes emburrece. Não por falta de diplomas, de acesso e de moedas. Talvez por falta de valores.
Não é dor humana, mas é câncer da humanidade.
E por isso muitos choram. Enquanto outros distribuem sorrisos sem poder. Pois aprenderam da vida como se faz para viver (sobreviver).
O paradoxo transformado em conformismo que nos permite dormir...
Sem lágrimas.

TEXTO: Daniel Rangel

sábado, 13 de dezembro de 2008

A Sublime Visita


É uma constante na história perceber que os homens vivem na busca da verdade sobre si mesmos. Esbarramos no limite do conhecimento de nossa própria existência. Enquanto experenciamos, ao longo do tempo, a contínua realidade da procriação (e co-criação, diria eu), ainda que interpelados pelo empirismo que circunda tal conclusão, entendemos que somos frutos da Criação.

Alcançamos de alguma forma a compreensão de um suposto Deus soberano. Somos pertença de um projeto, há um universo a nossa volta. Existir passa a ser metafísico, pois transcende a nossa inteligência.

O que é mesmo surpreendente, ao mesmo tempo “incompreensível”, e portanto fascinante, é tentar dimensionar o mais famoso conto apreendido na infância, rememorado a cada 25 de dezembro. Celebra-se a Encarnação de Deus!

E como entender isso?

As formalidades e o luxo de ser deus foram rompidos, abdicados... Onde estariam as filosofias dos deuses e seus reinados? Pois agora falamos de um Deus que abandonou o seu trono e pisou nosso chão. Quis ser gente, de modo a nos ensinar a viver na plenitude da dignidade humana. Escolheu a pobreza da estrebaria para saudar os homens, exigindo-nos a sabedoria do silêncio para se chegar ao porquê. Seus gestos, palavras e atitudes conjugaram-nos com excelência o amor humano. Sua vinda ao mundo foi obra do desejo de experimentar as dores humanas, consumando assim, sua capacidade infinita de amar, ao ponto de doar-se em morte num madeiro.

O meio elegido por Deus para se despedir da terra pode parecer funesto, aliado aos efeitos do impressionismo a que hoje estamos acostumados. No entanto, Ele se revelou obstinado em salvar a humanidade. Somos separados d’Ele pela natureza dos nossos pecados. Entretanto, somos agora religados à sua divina natureza por seu sangue humano derramado.

Deste modo, sua meta continua sendo roubar para si nossos corações, tocar o solo desse particular território a ser conquistado (por Ele) pela força de nossa permissão. O Deus da liberdade nos fez para a liberdade e nos tornou livres.

Por fim, é Natal! Celebremos o Menino-salvador, o Divino-homem, o Humano-Deus!

TEXTO: Daniel Rangel

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Crise? Que crise???




Não costumo postar textos de outrem...

Mas foi inevitável me decidir por isso ao terminar de ler este texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, agência de propaganda, sobre a crise mundial.
Aos 2,2 trilhões de dólares deve ser somado o pacote lançado pela China em 10/11 de 586 bilhões de dólares.

"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá, sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia."

Como uma pessoa comentou, é uma pena que este texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.
Se quiser, repasse, se não, o que importa? O almoço tá garantido mesmo...
TEXTO: Neto - diretor de criação e sócio da agência de publicidade Bullet.

sábado, 29 de novembro de 2008

Por que você ainda não tem o seu blog?


É natural que em meio a grande velocidade, ao avanço e surgimento de tantas novas tecnologias, nos deparemos com reflexões sobre o futuro da vida e saúde da informação. Nos questionamos se há real necessidade, de ordem intelectual, em se ter e manter um blog como meio de sobrevivência talvez da capacidade interativa e instantânea do conhecimento comum à sociedade. Onde tornar pública a nossa subjetividade opinativa sobre os fatos e o cotidiano??? Estaria eu emudecido, omisso ou negligente??? Fala-se de tudo nesses espaços tão práticos, de fácil acesso, ao mesmo tempo inacessíveis por sua habilidade multiplicadora de existir... Ou insisto em permanecer na recusa de unir-me aos assassinos da indústria física da informação e seus impressos???
Já não sabemos o que decidir em meio à essa transitoriedade, enquanto desejamos apenas nos expressar, amplificar o poder de escuta do som de nossas falas ou apenas fazer uma arte meramente amadora...
Devo escolher o sentimento de culpa por não me render às tendências da democratização digital e seus conteúdos ou a auto-condenação pela cumplicidade em ser um participante ativista do processo de tornar moribunda as mídias convencionais? Me resta também a opção da dissecação desta questão... Ou ainda: de me manter inerte, estático ante ao conflito filosófico e quase social que me tem visitado com frequência. Com que culpa fico eu??? Qual delas devo eleger, resguardando a garantia da felicidade minha e alheia???
Embalado pela atuação metalinguística em discorrer a temática dos blog's (em meu próprio blog), seu poder de influência e seus impactos - inclusive os decorrentes dos riscos mantidos pelo elevado grau de informalidade, próprio de sua natureza - resolvi recorrer a algumas opiniões de maior força de credibilidade e me decidi por partilhar algumas delas com meus ledores:

*fonte das frases reproduzidas abaixo: reportagem de Ellen Wulfhorst para a Thomson Reuters - agência internacional de notícias e multimídias.

"As novas mídias não podem substituir as velhas por inteiro, nem dar os mesmos resultados que o jornalismo investigativo de valor comprovado ao longo do tempo." (Arianna Huffington - blogueira famosa, que lançará em Nova York o livro "The Huffington Post Complete Guide to Blogging" pela editora Simon & Schuster)

"Uma das razões de se escrever num blog é iniciar a conversa e criar a comunidade que se reúne para falar brevemente sobre coisas que talvez não falaria se você não escrevesse seu blog." (Nora Ephron - escritora e roteirista)

"Fazer um blog permite que qualquer pessoa tenha voz, mesmo sem ter acesso à Reuters ou à revista Time, e é isso que é realmente significativo." (Nora Ephron)

"As novas mídias vão continuar a dar voz às pessoas que de outro modo não teriam voz, e isso é algo que não vai desaparecer." (Nora Ephron)

Sendo assim, que viva a arte contemporânea de 'blogar'!
TEXTO: Daniel Rangel
(dedico ao amigo Filipe Guimarães)

domingo, 16 de novembro de 2008

O antagonismo do imperfeito com o perfeito num único coração: o meu


Amo a Deus, com amor frágil, imperfeito...
Não alcanço a dimensão da reciprocidade desse amor que me amou primeiro, com tamanha exatidão.
Amor ilimitado, incondicional, capaz de me amar de modo desconcertante, por não me condenar pelos erros que cometi (desamores). Amor comprometido com aquilo que sou, com aquilo que não sou, mas que ainda poderei ser.
Um jeito estranho de amar. Amor perfeito.
TEXTO: Daniel Rangel

domingo, 2 de novembro de 2008

Na política, nossas análises elegem um “FAVORITO"




Dos espectadores mais assíduos da atual trama nobre global, quem nunca sentiu raiva, desprezo e certa irritação por Donatela?
Nos cinqüenta capítulos iniciais, havia uma torcida contínua e crescente por Flora - a inocente injustiçada. Falava-se dela com sentimento piedoso e compassivo nos primeiros minutos dos nossos expedientes matinais de trabalho. Quem não se compadecia da mãe que desejava sinceramente reaproximar-se de sua filha? A verdade estava no olhar da personagem...

Sabemos que a dinâmica inventada por João Emmanuel Carneiro, autor do folhetim eletrônico, foi expor – intencionalmente - apenas uma face da personalidade das duas peças principais da história investigativa, fazendo com que o público tivesse dúvidas de quem era a real vilã por alguns momentos, mas que ao mesmo tempo, tendenciasse pela lógica dos fatos em amostra, pela intuição provocada pelos sentimentos já comentados acima e pela percepção decodificativa que se tinha, quase que unânime, não fosse o tom de interrogação que se respingava no decorrer dos fascículos em torno da certeza que se construía sobre uma favorita.

Pois bem. No capítulo de número cinqüenta e seis, o público conheceu a verdadeira assassina. Uma mistura de decepção, incredulidade e indignação abalou os índices de audiência da novela. Os brasileiros acordaram de sua fácil adesão ao mundo da ficção. O assunto em pauta nas manhãs laborais não era mais a conduta inescrupulosa da personagem. As conversas tinham cunho crítico e analítico ao autor. Discordava-se da nova estrutura narrativa adotada por ele ou ao menos, opinava-se sobre alternativas que poderiam ter sido escolhidas, que gerassem um menor impacto.

Hoje, invertemos o jogo... Torcemos pela reconstrução de vida da Donatela. Sentimos verdadeira repulsa pelos estratagemas de Flora, por seus sarcasmos e comportamentos dissimulados. Nem mais lembramos do seu rostinho angelical dos primeiros capítulos. Uma certa amnésia nos fez esquecer da atuação arrogante e das frases imperativas da personagem de Cláudia Raia... Sua condição de vítima nos pressupõe uma Donatela redimida, quase que incólume, sem máculas.

Isso pode ser sim uma virtude. Acreditar na capacidade de mudança e redenção das pessoas é sinal de liberdade, uma verdadeira abolição da insegurança e dos rótulos que apregoamos a respeito de um vacilante. Maturidade nossa!

Mas é bem verdade que acreditamos muito facilmente na primeira versão que ouvimos de uma história. Nossa perceptividade aparenta ter uma cadência pronta, parece acompanhar o formato convencional ou usual dos modelos de trama utilizados pelos romancistas.

Num primeiro momento, pode parecer injusto ou inútil propor uma analogia dessa dissertação com a receptividade das notícias políticas em nosso país. Pois é óbvio, estamos comparando “produtos” distintos, de diferentes naturezas. De um lado, a ficção, do outro, a realidade / a nossa sociedade. Não estou subestimando a inteligência de ninguém, nem o poder de discernimento das pessoas.

Mas... A quantas andam a qualidade interpretativa do povo brasileiro??? A impressão que temos é que permanecemos num nível superficial e acomodado de nossas análises. Nosso senso crítico estaria sem estímulos, inexcitado, sem preparos?

Essa é a reflexão que estamos sugerindo... Em que instância estaria hoje a relação credibilidade / idoneidade da imprensa atual versus a competência apurativa da informação recebida pelo público?

Damos como verdade a primeira versão. ‘Inda mais se ela reaparece contada por diferentes profissionais da comunicação em diversas mídias, em tempo real ou não.

Esquecemo-nos que estamos expostos a uma imprensa do impressionismo, do sensacionalismo, comprometida com a tragédia, com os escândalos, com a violência. Pois trata-se de produtos rentáveis, comerciáveis. Culpa da demanda – argumento de defesa. Um problema de duas vias, certamente, de ordem antropológica também.

A imprensa demonstra irresponsabilidade, diria eu, um descompromisso ético em optar massivamente pela dilatação da notícia da corrupção, muitas vezes calcada, bem sabemos, por seus interesses institucionais / empresariais. Ao invés de usar do espaço público eletrônico (lembremos que a TV é concessão dada pelo governo), do impresso informativo ou do ambiente virtual para se discutir as soluções do problema político do Brasil.

Não deveríamos investigar se a verdade apresentada – material significativo e substancial no processo de construção da opinião pública e popular – é de fato ordinária de uma categoria de valor de tal dimensão? Não deveríamos por à prova a isenção e imparcialidade muitas vezes demonstradas pela agência noticiadora?

Encerro com uma "conjetura", um "simulacro"... Se nos próximos meses a imprensa brasileira se ocupasse em noticiar veementemente os argumentos e provas de defesa do Dr. Paulo Maluf perante a justiça, indiciando sua honestidade tão reafirmada por ele nesses últimos anos, será que não o inocentaríamos tão rapidamente como fizemos com a Donatela? Quem passaria a ser o nosso FAVORITO? Qual história seria a nossa FAVORITA?

Não já teríamos esquecido (tão facilmente) das inúmeras improbidades administrativas de seus mandatos políticos? Não acreditaríamos prontamente e logo formaríamos uma nova opinião???

Entendam. Não acredito num possível cúmulo da ignorância, não quero ofender em nenhum momento o povo brasileiro, mas creio ser muito pertinente essa reflexão, mesmo que debande para opiniões contrárias a essa.

Ponto final à história: já nos esquecemos de “Duas Caras”, agilmente alternamos nossos conceitos em eleger “A FAVORITA”...
TEXTO: Daniel Rangel

domingo, 19 de outubro de 2008

Onde está Deus se não O vejo?


Onde houver um maturo útero capaz de conceber, ali mora Deus, preparando o comum milagre de existir.

Onde houver a poesia da sincera filosofia de uma busca incessante em se entender a vida, ali está Deus, ainda que o caçador da compreensão não O encontre em seus entendimentos.

Onde houver o silêncio da palavra não dita, a inexpressão de um sentimento preterido pela renúncia, onde houver gestos fecundados pela decisão de amar, ali está Deus, delineado no amor humano vivenciado, experimentado.

Onde houver lágrimas do arrependimento, um engasgo seguido de um pedido de desculpas, um abraço reencontrado, uma frase reconciliada, ali está Deus, ali quer ficar.
Onde houver um puro e espontâneo sorriso, ali se encontra Deus - o próprio dom da alegria.

Onde houver uma alma visitada pelo sofrimento, ali está Deus, resignado (diante ao fruto da liberdade humana), compadecido, incompreendido em seu carinho de oportunizar ao homem e à humanidade o presente da transfiguração do desumano (em humano) que há em nós - arte da humanização, necessidade contínua, mistério integrante e inerente àquele que vive. Independe da adesão que se possa ter ao projeto divino proposto aos homens. Ela apenas altera, temporiza e administra os resultados, não isenta os indivíduos da experiência de sofrer.

Onde houver a razão e a ciência, ali está Deus, dividindo aos homens sua inteligência, sabedoria e o potencial criador, fazendo-nos assim, participar da sua divindade. Por isso, somos sua imagem e semelhança.

Onde houver uma hóstia consagrada, ali há “excesso” de Deus, em sua excelência em ser o que é: Deus.


TEXTO: Daniel Rangel


"No nosso mundo, com freqüência dominado por uma cultura secularizada que fomenta e difunde modelos de vida sem Deus, a fé de muitos é posta à dura prova e, não raro, é sufocada e extinta". (JPII)


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Amor passa pela decisão... E acontece, e gera vida!


Os discursos de defesa desse assunto que circundam o mundo moderno que vivemos, inclusive os contidos nos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional - intitulados de ‘descriminalização’, buscam respaldo em se tentar minimizar os riscos de saúde da mulher, criando melhores condições clínicas para a prática desse ato (aborto).

A parábola abaixo, tão simples em sua morfologia textual, nos faz muito refletir...

Até quando o ser humano não vai assumir o seu egoísmo, onde ao invés de encarar as conseqüências do erro alheio (ou do bel-prazer) e de abraçar com resignação o sofrimento que bate à sua porta, prefere tirar o direito de viver de seu descendente totalmente indefeso?

Rouba-se de si mesmo a oportunidade de AMAR...

Lembrando que o amor não é sentimento, mas sim a capacidade de renunciar a si próprio e de se doar ao outro, ainda que esse esgote todos os requisitos convencionais da condição de amado. O amor é incondicional... Compassivo, não tem rancor! Tudo supera!

Obs.: Quem também tiver seu blog e quiser postar, inclusive a introdução que fiz acima, fique à vontade. Precisamos combater o crime do aborto e defender a vida humana em suas diversas instâncias!
Daniel Rangel
Aí vai a parábola:

SABEDORIA
"Uma mulher chega apavorada ao consultório de seu ginecologista e diz:
- Doutor, o sr. terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço maior entre um e outro...
E então o médico perguntou: Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça?
A mulher respondeu: Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico então pensou um pouco e depois do seu silêncio disse para a mulher: Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.
E então ele completou: Veja bem, minha senhora, para não ter que ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...
A mulher apavorou-se e disse : Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime hediondo!
Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la. O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito.
Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.

O CRIME É EXATAMENTE O MESMO! " (autor desconhecido)

domingo, 31 de agosto de 2008







Pode parecer pieguice, mas trata-se de um sentimento sincero pelo lugar que eu vivo... Orgulho...

Alguma Coisa Acontece No Meu Coração (De Aço)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Amaral
E a Rua São João...


Que cidade é essa?
De tanta fumaça
Do aspirante Voltaço
E de sua valiosa Taça.

Terra de Thiago Pereira
Stael de Oliveira
Jogando na vida
Querendo ganhar.

Gente do esporte
Gente da arte
Do ouro e da prata
Do anonimato
Do “meio do mato”
Que sabe jogar...

Nascemos da economia
Do sonho do progresso
A nossa magia
Foi a curva do rio
Viver e habitar...

Eis o nosso sucesso!

Povo da labuta
Que sabe o que é luta
Três filhos se foram
Por querer trabalhar...

Seus viadutos
São pequenos redutos
De um urbanismo menino
Que ainda vai me orgulhar.

Salve a Cicuta
Que mesmo sozinha
Nos oxigena
Anatomia pulmonar.

Aqui nasceu Vanessa Giácomo
Revelação de talento
Que no primeiro momento
Soube protagonizar.

Há o Rick Valen
Esse também vale
O seu amor é cantar!

Cantamos Madame Zero
De tão nobre e de tão pop
É o nosso intenso rock.

Temos Sara Bentes
Ouvir os seus cantos
Não são só encantos
Da própria canção
É a pura melodia de superação
(também da determinação).

Aqui viveu Waldyr Bedê
Dicler Simões
Tantos outros campeões.

Sim, temos escritores
Talentosos e amadores
Amantes da leitura
Da criação e do saber.

Vocês não conhecem
Gabriel Araújo
Gabriela Misael
Gabriel Senna
Eles não são anjos
Mas soldados de guarda
Daquilo que fazem
Tantos outros são assim...

Sou daqui
Daniel Rangel
Um blogueiro emergente
Querendo ser gente
Expressando um amar.

Aproveito e apresento:
Luciana Reis
Essa sabe o que faz
E daquilo que não fez
Escreve a própria vida no rascunho
A próprio punho.

Somos anônimos (somos muitos)
Mas amamos essa gente da gente
E a poesia cinzenta desse lugar.

Lugar dos desencontros da evasão
Dos reencontros da emoção
Que nem todos o Getúlio da Brasil pode alcançar.

A minha Volta
Que nem sempre traz de volta
Os amigos dessa polis
Que aprendemos a amar.

É uma cidade de aço, a cidade do abraço...

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Amaral
E a Rua São João.


E posso assumir...

Sou marrento, sou metido...
Posso até tirar uma onda
Eu vivo e sou nascido
Eu sou de Volta Redonda.



POESIA: Daniel Rangel
Glossário: Para descobrir quem são os ‘desconhecidos’ citados, visite:
http://ovencedornews.blogspot.com/ (Gabriel Araújo)
http://gabipersonalizada.blogspot.com/ (Gabriela Misael)http://www.portcom.intercom.org.br/expocom/expocomsudeste/index.php/JOR-2008/article/view/860 (Gabriel Senna)
http://vidanorascunho.blogspot.com/ (Luciana Reis)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Velhas receitas fazem os melhores pratos

Somos pós-modernos, habitamos uma sociedade neoliberal. Com orgulho!
Falamos da total independência feminina, da nova estrutura familiar.
Defendemos o sexo livre. (Beba com, mas ‘coma’ sem moderação!)
Preservativos são as nossas moedas.
Nossas bandeiras não exigem democracia, mas carregam frases inteligentes que reivindicam o livre comércio de entorpecentes. Que dirá o consumo!
Casamentos e divórcios fazem parte das nossas rotinas cíclicas e efêmeras...
Que vivam os ‘peguetes’!
Traição é ‘pegação’. Que problemas há nisso?
Somos modernos!
Pertencemos a várias famílias. Colecionamos padrastos, madrastas e irmãos desconhecidos.
É o progresso da razão, da moral humana, das forças de pensamentos. Nossas idéias acompanham os avanços científicos. Somos figuras hodiernas.
Aplaudimos com entusiasmo o processo da descriminalização do aborto em diversas nações deste mundo liberal, globalizado.
As crianças dos nossos bairros foram adotadas por pares de pais ou pares de mães.
Vencemos o preconceito!
Nossos heróis orgulhosamente estão morrendo de overdose...
Somos da moda, ditamos a moda, somos a própria moda. E assim somos poetas.
É o terceiro milênio, somos século XXI.
Essas são algumas de suas receitas. Trazemos gravadas em nossos palmtops.
Sem receios... Não há censuras, limites, repreensões. Sem medo de errar.
Pois o certo e o errado não mais existem. Essa é a nossa religião.
Obedecemos a um só comando de “ser feliz”...

Só não sei explicar o porquê de tantas pessoas depressivas, de inúmeras crianças carentes e agressivas, de tantos jovens suicidas, de tantos filhos abandonados... De tantos artistas cantando a solidão.
Não sei o porquê... Meus amigos estão morrendo de HIV.
Os namorados estão matando suas namoradas. Amigos homicidas não poupam por vingar.
Os consultórios psiquiátricos estão lotados, os divãs terapêuticos cada vez mais freqüentados.
A corrupção tem dominado aqueles que não receberam princípios éticos dos pais que não tiveram.
Homens de quarenta anos preferem estar sozinhos, são desiludidos no amor, nem conhecem seus filhos.
Adolescentes roubam pra pagar suas dívidas com traficantes e morrem com tiros na cabeça.
Nos noticiários: filhos matam os pais; madrastas ciumentas atiram seus enteados pela janela do sexto andar.
As pessoas crescem sem saber amar...

Meu Deus! Onde estão os caderninhos de receitas dos nossos avós???
Será que tomaram nota dos ingredientes e fórmulas da Felicidade, do Amor e da Paz!?
Velhas receitas...

TEXTO: Daniel Rangel

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Visitando e comentando outros espaços

SOBRE A ÁGUA , O COPO E AS SEDES ALHEIAS...
Gosto da experiência de ser água. Deve haver algo de divino em se dar de modo que sacie alguém... Vivo me derramando, torrencialmente ou gotejante, sobre coisas e pessoas. E se me represo, capaz seria de alimentar uma hidroelétrica...ainda faço o sertão virar mar por conta dessa bendita febre de sentir...
Já ser copo não é tão magnânimo, tem que ter alma pra isso. Um corpo só não basta. Nem só um corpo, nem só uma alma. Há de se ter um ego tamanho GG para não cair na tentação de se sentir usada. Afinal, como diria Celso Russomano: estando bom para ambas as partes... acho mó graça desse povo que se lambuza numa situação e depois fica choramingando... como assim? Estava dormindo? Fora de si? As pessoas tratam a gente do jeito que a gente deixa, oras... rsMas estava eu divagando sobre a vocação de cada ser: copo ou água, será que há predisposição genética? (burrice é hereditário!?) Parece que tenho talento pra água, mas reicidente - e conscientemente, o que agrava a culpa - sou copo. Demoro pra ver, poetiso a coisa, abstraio o que há de triste nisso, mas sou. Um copo de cristal, mas só um copo.E sendo água a razão de existir dos copos, seria muita pieguice perguntar por onde anda a água da minha sede? Postado por Clara às 9:55 PM em Vida no Rascunho.

Daniel Rangel disse...
Acho que já nascemos água ou copo... Coisas da hereditariedade mesmo. Ou então, alguns nos tratam como copo desde que chegamos no 'planeta água'. E o pior: às vezes assumimos tal identidade mesmo sendo de outra natureza.
Mas com força de vontade, determinação, auto-conhecimento e auxílio sobrenatural, acredito que consigamos o triunfo da metamorfose do copo transformado em água.
Ou talvez ainda nem enxergamos a límpida água que existe dentro do copo que sempre fomos, capaz de saciar os copos alheios e suas sedes.
Não seria a solução um simples desembaço do cristal ou do plástico (que seja) que forma o potencial visionário desse recipiente???

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Há 03 anos João de Deus na Eternidade!

Obrigado óh Deus, porque a humanidade pôde conhecer um homem desses que se fez amor para todos... A terra inteira pôde contemplar a Face de Cristo estampada nos gestos e olhar desse santo da paz!!! Obrigado óh Deus, pela vida do João Peregrino que hoje intercede por cada um de nós no Reino que o Senhor nos preparou e que ele tanto acreditou, anunciou e fez acontecer aqui mesmo na terra!
Salve João Paulo II!!!
Para sempre te amaremos...
TEXTO: Daniel Rangel

segunda-feira, 31 de março de 2008

Será mesmo o fim?


Todo e qualquer final há sempre de inaugurar um começo.
Trata-se de uma regra empírica, mas aplicável.

Vejamos:

As estações... Só há inverno, se antes for findado o outono. Não há verão sem o término da primavera.
Gravidez encerrada... Nova vida a ser cuidada.
Diploma na mão... O começo da carreira ou da ociosidade inquietante.
Adeus ano velho, feliz ano novo!
Prato raspado... A digestão. Lá vem o 'arroto'!
Trabalho encerrado... Agüenta o cansaço!
Findada a novela... Elenco novo na tela.

As perdas estréiam o tempo das novas conquistas.
A despedida de solteiro projeta o indivíduo para o começo de um matrimônio.
A carreira encerrada traz o desfrute da previdência.
O término de uma paixão faz nascer a solidão (ou um novo amor).
Mas há quem diz que a morte é o fim de tudo.
Esqueceram-se que a morte inicia a dor da saudade, o sentimento bom da lembrança.
Mas e o ‘fim do mundo’ apocalíptico???
Inaugurará céus novos e uma nova terra! Confira o que diz o profeta...

Enfim... Não há fim! Há sempre um NOVO que está por chegar.
TEXTO: Daniel Rangel

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Feitos de História

Sim, somos feitos de história.
Somos a nossa própria história, cada um tem a sua e a constrói como quer.
Somos sorteados pelo acaso, redesenhando nossa história.
Somos vítimas da história alheia e os planos da nossa, precisamos refazer.
Somos objeto da história humana e ela é o caminho que a nossa precisa percorrer.

Somos pertença de uma história única e de múltiplas histórias.
Somos a história dos outros e os outros a nossa história.
Somos a história de um povo, de uma tribo, de um lugar.
Somos uma pequena ou uma grande história, é o tempo quem vai ditar.

Somos preteridos pela arrogância da história, mas exaltados pelas histórias humildes.
Somos personagens das histórias dramáticas e espectadores de tantas outras histórias.
Somos destruidores de belas histórias, restauradores das histórias arruinadas.
Somos acusadores de desconhecidas histórias, defensores das histórias publicadas.

Somos contadores de histórias...
Somos testemunhas das verdadeiras histórias e a própria mentira das histórias mal-contadas.
Somos criadores de fantasiosas histórias e omissos das histórias premiadas.

Somos o tempo da nossa história e a história do nosso tempo.
Somos a história de uma família e a família de uma história.
Somos a história de uma vida a dois ou a história de uma solidão.
Somos a história de um verdadeiro amor ou a história de uma desilusão.

Somos temporários na história em busca da eternidade.
Somos a história de um credo que acredita na história.
Somos uma história inacabada, a história da imperfeição.
Somos a perfeita história, uma história em constante construção.
Sim, somos feitos de história.

TEXTO: Daniel Rangel

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

É de menino que se vira um "Bom Malandro"... (caso verídico)


A professora chega à sala de aula e se surpreende com um aluno apressado em sua direção:

- Tia, posso te perguntar uma coisa???
- Claro!
- Me promete ser sincera?
- Promet... Mas o que tá te incomodando? Me diga!
- Só quero sua opinião... A senhora acha que alguém pode brigar com outra pessoa por alguma coisa que ela não fez???

A professora notando a obscuridade da interrogativa do menino:

- Como assimmmm???

- Isso mesmo tia! Só me responde: Alguém pode brigar com outra pessoa por algo que ela não tenha feito???

O menino termina a pergunta demonstrando em seu rostinho que precisa muito dessa resposta... Como se isso fosse resolver uma situação complicadíssima em sua vidinha de apenas seis anos completos. Parece ser algo de caráter emergencial. Com ansiedade e apreensão, apressa a professora:

- Hein tia! Me responde!

Ela ainda pensativa, recorre ao senso de justiça comum aos cidadãos de boa-vontade, e mesmo encabulada exclama:

- Não, claro que não! Se a pessoa não fez, por que ela seria penalizada?!

O aluno alivia-se.

- Que bom tia!!! A senhora nem vai brigar comigo...

Sem nada entender, ela pergunta:

- Mas por quê?
- É porque eu não fiz meu dever de casa...
Por Daniel Rangel

sábado, 5 de janeiro de 2008

Sem muita conversa...

A falta de assunto tem lá suas origens... Ela pode ter uma natureza egocêntrica, abraçada aos limites do ato vicioso de introverter-se ou da virtude, enquanto moderada, da introspecção.
Pode também ser vítima de uma timidez aguda que aflige àqueles que adormeceram suas expressividades por conta das más experiências emocionais, ou simplesmente, por uma questão genética.
A escassez de tema “dialóguico” (neologismo) pode ser provocada pela fadiga física, pelo esfalfamento mental. Excesso de trabalho... Como também, por uma ausência de empatia ao interlocutor ou desagrado total da temática escolhida pelo mesmo na tentativa de desenrolar uma boa conversa ou um papo alheio, típico aos da categoria “passatempo”.
Pode ainda (há de convir), ser fruto de um momento relapso ou de um relaxamento temporário do ócio criativo, ou então, conseqüência do estado de estafa das inspirações cotidianas do indivíduo. Em outras palavras, carência de insight.

O que é mesmo surpreendente, é nos darmos conta que tal falta de assunto pode render qualquer reles dissertação no mundo das literaturas virtuais dos anônimos pseudo-escritores, numa atuação quase que artística, mas certamente original em se exercer ou aplicar-se (talvez) a função metalingüística da construção de um texto.

Enfim, será que vai chover hoje???

Fim de papo!

TEXTO: Daniel Rangel

ET: Desejo um ótimo ano novo a todos! Espero que 2008 seja fonte de inspiração para muitos e muitos assuntos por aqui...
Até o próximo post!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Não somos iguais?!


Está tramitando no congresso nacional um projeto de lei (já aprovado no senado) que pretende privilegiar os brasileiros afro-descendentes, garantindo a eles 20% das vagas em universidades e no mercado de trabalho / concursos público.

Não seria tal legalidade uma ofensa às virtudes da igualdade e seus conceitos??? Não seria ela oriunda de uma natureza separatista e excludente??? Como querer extirpar de nossa sociedade as atitudes preconceituosas, a partir de uma medida divisora, se almejamos ver todos desfrutando dos mesmos direitos???

De que forma queremos concretizar o sonho de se derrotar o preconceito racial...? Acentuando à nossa cultura formas diferentes de distanciar ou desajustar a equalização dos direitos???

Acredito que um sonho desses, expressado por diferentes grupos e facções da sociedade brasileira, deixará de ser utópico no dia em que se abolir de nossas mentalidades a idéia de RAÇA!
TEXTO: Daniel Rangel

sábado, 17 de novembro de 2007

Dias melhores pra sempre...


Nossos lábios já cantaram por mtas vezes: "vivemos esperando o dia em que seremos melhores"...
Não sei vcs... Eu fico sempre a me perguntar: Mas que dia será esse??? O dia em que eu for o único premiado da Megasena? O dia em que se der por findado os confrontos gerrilheiros do Oriente Médio? O dia em que me elegerem presidente desse país? O dia em que políticos serão premiados por suas honestidades exemplares? Ou o dia em que não mais existir armamentos bélicos no planeta? Será esse o dia da tão esperada Parusia Cristã?
As respostas permanecem distantes do exato e se aproximam ainda mais do abstrato... Não é que existe mesmo perguntas que parecem não querer calar?!
Até mesmo o silêncio parece ter dificuldades em me apresentar afirmativas resolucionistas à insistente indagação... E olha que o silêncio sempre fala!!!
Mas não me dei por vencido. Certo dia (talvez fosse esse o dia de ser melhor), resolvi mudar as medidas angulares de minhas preocupações... Fiquei a pensar se talvez o tão esperado dia pudesse ter passado nas páginas de nossos calendários sem que ao menos tivéssemos notado a força de seu esplêndido sol que teria por incumbência ser o porta-voz anunciador do "The best day"... Mas ora bolas! Não é que essa mudança de órbita filosófica de minha caixola pode ter alterado o rumo de minhas buscas?! Isso parece fazer sentido, apesar de estranho...
Será que esse dia sem data alcançou a solidez do real, enquanto nós míseros humanos, afoitados pelos afazeres do cotidiano, não percebemos que estávamos diante do objeto sonhado??? Será que desperdiçamos nossa tão desejada oportunidade? Ou será que adentramos nas amarras das atitudes culposas e acabamos por cometer crimes hediondos contra nossa própria chance de ser melhor? Será que fomos tão antagônicos assim??? Será mesmo que nos fizemos réus de um homicídio cruel "daquele" que faria par romântico do glorioso norte que agora atingiria a nossa história?
Ou será que foi simplesmente displicência da nossa parte (o que não nos livra dos pesos da culpabilidade)???
As novas perguntas se misturaram ao medo de talvez ter perdido aquilo que nunca tive, mas que sempre desejei...
Eis que surge uma nova interrogativa... E se for HOJE esse dia???
A rotação terrestre não se conteve e parou por alguns segundos...
Corri para perto da janela... No vidro, havia respingos d'água. Não existia sol... Deus parecia chorar, ou melhor, acho que fazia pirraça. Era mta chuva que descia do céu acinzentado.
Vai lá saber se fora a tempestade a escolhida ou a contemplada no sorteio que fizeram entre os fenomênos climáticos para protagonizar a proclamação do dia da mudança!!!
Resolvi então assumir ser esse o dia de ser melhor... Comecei a rever os meus atos, atitudes, palavras, pensamentos, tratamentos... Refleti minha história, meus sonhos, meus hábitos, relacionamentos... Foram tantos elementos repensados... Quando me dei conta, nascia naquela mesma janela uma nova manhã. Era um novo dia.
Quase que caio no engano de pensar que tinha deixado escapar entre meus dedos a posse do dia que talvez eu tivesse encontrado... Quando optei por decidir em fazer daquele novo começo de horas, o dia de SER MELHOR! E não é que mtas coisas mudaram?!
HOJE, faço com que essa manhã se repita em todas as novas datas...
Assim, realmente acredito que podemos ser melhores... "melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo"!
Não posso mais cantarolar dissimuladamente o verso inicial, negligenciando a mim mesmo a consciência que apreendi com tal poesia...
"Dias melhores pra sempre"!!!
(por Daniel Rangel - dessa vez, na tentativa de ser cronista... rsrsss...)

domingo, 11 de novembro de 2007

Saltar pode mudar uma rotina de vida... 11 de novembro - um ano em que meu joelho saiu de férias!


TROCA DE E-MAIL'S 2:

Nos dias antecedentes ao feriadão de 12 de outubro, trocávamos e-mails eu e mais alguns companheiros dos tmps de faculdade. Uma amiga nos anunciava que ela seria âncora (interinamente) num telejornal da região, exatamente nos dias que estaríamos em viagem curtindo o feriado...

Eis que um dos amigos escreveu assim:

ahhh!que pena...

vou estar em Caraguatatuba, litoral de Sampa...
lá não pega o jornal...
Mas boa sorte! Quebre a perna! Merda! (isso é pra teatro, mas funciona tb... ehehhe).
Bjs e bom feriadão a todos!

Ao ler tal texto, não me contive e tive que assim responder:

Só quero alertá-los a uma coisa...
No dia 11/11/2006, eu fui apresentar uma peqna encenação teatral e comecei a desejar merda p/ os amigos de palco, na intenção de criarmos tal costume em nosso grupo. Qdo de repente, todos me desejaram merda em uma só voz, sem nada terem combinado.
Ao término do coro, ouvi uma voz solitária gritando como o Chaves: "Quebra a perna"!

No meio da encenação, eu precisava dar um salto bem alto e daí, .............

Acho que não preciso contar o resto!

Quebrar, quebrar a perna... assim.... de quebrar mesmo, eu não quebrei.

Mas vejam a MERDA que deu!!! Rsrsss...

Abçs e bosta pra vcs!

sábado, 10 de novembro de 2007

Batalhão de Operações POLÍTICAS Especiais - BOPE

Os caras que inventaram e colocaram a CPMF na atual vigência, hoje criam argumentos e dissimuladamente se opõem à sua manutenção. Os caras que outrora eram desfavoráveis à criação desse imposto, hoje querem sua prorrogação para continuarem governando, mantendo os programas sociais de seu mandato...

Isso é "política"!

Minha opinião sobre o assunto?

Se até Arnaldo Jabor se declarou no Programa do Jô favorável à continuação do imposto, por ser ele essencial para a governabilidade do país (seja por qualquer via partidária), não seria eu a pessoa em descordar!!!

O que eu penso mesmo... Reforma tributária já!

Mas isso, só quando Capitão Nascimento for nosso presidente e não se submeter ao sistema...

Por Daniel Rangel

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Já não somos reais...


É a era da informação
Ou da desinformação talvez...
Já não somos reais...
O mundo todo é virtual

Somos patrões de nossa própria mídia
Escritores de tantas histórias
Produzimos os sonhos
Dirigimos nossas derrotas
Ensaiamos desejos
Não veiculamos nossas lutas
Editamos fantasias, o que queremos ser
E quase nunca gravamos o que possivelmente seja vitória

É a era da informação
Ou da desilusão talvez...
Já não somos reais...
O mundo todo é virtual

Já consigo imaginar uma terceira vida
Onde nós avatars seremos chamados por um simples neologismo
Fascinados pelo pífio, mas escravos da abjeção
Conquistaremos outra dimensão
Onde devam existir os tais sentimentos...

É a era da informação
Ou da degradação talvez...
Já não somos reais...
O mundo todo é virtual

Quero ser analógico
Chega de cibernética
É a democratização digital, eu sei
Quero ser ditador...
Abstenho-me das proposições científicas
Prefiro os empirismos do amor...

É a era da informação
Ou da segregação talvez...
Já não somos reais...
O mundo todo é virtual

Mesmo desolado, solitário
Continuo a navegar ao encontro do real
São pesquisas e pesquisas
Tantos sites de busca
Nenhum sabe do que quero
Quero ser real


É a era da informação
Ou da retaliação talvez...
Já não somos reais...
O mundo todo é virtual

Sou minha própria enciclopédia
Meu próprio dicionário
Reivindico a mim mesmo meus erros
Meu contador de acessos continua zerado
Onde questionar o meu valor?
Pareço estar cansado
Cansei de ser apenas um IP
Prefiro ser trocado
Ou ao menos um
upgrade
Quero ser mais visitado

É a era da informação
Ou da imperfeição talvez...
Já não somos reais...
O mundo todo é virtual

Câmera na mão
Laptop no braço...
Ufa!
Me dá um abraço!

Me esqueci...

Já não somos reais...


(por Daniel Rangel - tentando ser poeta... rs..., mas pensando sobre um futuro presente...)